Fale somente o indispensável

Publicado em 15/02/2012 por

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        Fale somente o indispensável – Áudio

                  É feio, eu sei. Mas nos dias de hoje é impossível. Você pega o elevador com um desconhecido no térreo, aperta o botão para o sexto andar e pronto.Toca o celular do cara.
Primeiro vem o incômodo. Os toques são terríveis. Todos! Sem exceção. Os que tentam ser engraçadinhos, ainda são piores. Tipo: – Atende o telemóvel. Atende o telemóvel; ou ainda: Telefonezinho tocando… uhu. É telefonezinho tocando… Páááraaa! – Você só ri na primeira vez que ouve, depois já é uma chatice. E não tem jeito prá isso. Tentei colocar como toque uma música que eu adorava e ela já virou uma super âncora negativa. Quando eu a ouvia no rádio sentia um arrepio na espinha.Não gosto de telefone. Fixo, móvel ou telemóvel. Resultado: bani a música da minha lista de predileções. Nunca mais faço isso.
Mas o que não tem jeito mesmo é não ouvir a conversa dos outros. Pô, o sujeito atende o celular no elevador e o que você pode fazer? Tapar os ouvidos? Ele começa a falar com a mãe que tem erisipela, catarata, enxaqueca, pano branco, reumatismo, artrose ou então algum cliente que tá preso, inadimplente, cobrando mercadoria não entregue… os assuntos são os mais diversos possíveis. E você lá, tendo que escutar aquilo tudo.
Uma vez escutei a conversa de uma menina no ônibus. Ela não parava de chamar o namorado de “Nem”. Esse “denguinho” é o fundo do poço! Depois de tantos anos sendo tratadas por: “broto”, “gata”, “mina”, “ficante”, “cachorra”. A coisa foi caindo a um patamar tão baixo, que as mulheres reagiram e lançaram o poderoso e infame: “Neém”.
O poder do “Nem” vem dos possíveis complementos:
“Neém… sabe que é traído”;
“Nem… sabe que eu tô na praia”;
“Oh Nem… sabe que não lembro seu nome.”.
O Nem, nem sabe que só pode ser advérbio ou conjunção.
O bom senso manda que tenhamos muito cuidado para não incomodar os outros, mas essa regra babou. Agora todo mundo fala ao celular em qualquer lugar. Sem falar nos rádios (do tipo Nextel) onde você tem o prazer de acompanhar de camarote toda a conversa. Pergunta, resposta, críticas e comentários. E tudo temperado com um insistente e irritante piii… piii.
Acho que os celulares deveriam vir com a seguinte mensagem: Fale somente o indispensável. Afinal, hoje em dia ninguém quer conversar com o motorista mesmo.

Alexandre Vicente

Músicas: Besliscando de Paulinho da Viola e Vertigo de U2.